As origens do monitoramento eletrônico

As primeiras experiências de localização à distância remontam à década de 60. A tecnologia de Monitoramento Eletrônico tem sua origem no trabalho do Dr. Ralph Kirkland Schwitzgebel, em 1964.

Sua inspiração vem do filme Westside Story (1961), que conta a história de um romance infeliz entre jovens apaixonados de grupos sociais opostos. Em uma série de reviravoltas, o protagonista é morto por um membro de uma gangue rival. O filme permaneceu em exibição por anos e era o favorito de Ralph K. Schwitzgebel, na época estudante da Universidade de Harvard. Ele descreveu sua inspiração para um sistema de comunicação eletrônica da seguinte maneira: “Na terceira vez que vi o filme, eu tinha um bom entendimento do enredo. Durante o filme, a namorada do herói tenta chegar até ele a tempo de avisá-lo do perigo de uma briga de gangues, mas ela chega tarde demais. Eu me perguntava como poderíamos ter ajudado ele. Eu pensei, se pudéssemos ter lhe enviado um sinal. Se soubéssemos onde ele estava, poderíamos ter salvado sua vida. Então eu tive uma ideia. Se ele usasse um transmissor, nós o contataríamos e impediríamos sua morte”.

O sistema de monitoramento de localização original do Dr. Ralph K. Schwitzgebel incluía uma combinação de equipamentos excedentes de rastreamento de mísseis, transceptores portáteis, baterias e estações retransmissoras estacionárias de radiofrequência. Os testes foram realizados em Cambridge, Massachusetts, onde jovens em risco, liberdade condicional, pacientes psiquiátricos e estudantes voluntários de pesquisa, participavam de vários projetos de pesquisa comportamental.O indivíduo monitorado carregava um transmissor portátil e uma unidade temporizada / codificadora alojada separadamente, que fornecia um sinal de áudio ao transmissor. O peso total de ambos era de cerca de 1 kg e uma bateria de 1,4 kg também foi necessária. Se o transmissor de um indivíduo estivesse dentro de uma área urbana monitorada, ele ativaria uma estação retransmissora estacionária a cada 30 segundos. O sinal era então transmitido para uma antena montada no campanário da Old Cambridge Baptist Church e depois retransmitido para a estação base no porão da referida igreja. 

O tamanho da área monitorada dependia do número de estações retransmissoras estacionárias e das características de transmissão do ambiente. A área monitorada geralmente cobria cerca de cinco quarteirões próximos ao local de residência do participante.

Esta experiência indicou que os participantes ou se ajustavam ao sistema de monitoramento nos primeiros dias ou o rejeitavam como intrusivo e embaraçoso demais. Ao divulgar o resultado da experiência também não teve receptividade por parte da sociedade.

O irmão gêmeo do Dr. Ralph K. Schwitzgebel, Robert, que havia participado do projeto de pesquisa de Harvard, iniciou projetos de monitoramento menores com jovens infratores adultos. Ele e um estudante de engenharia graduado, Richard Bird, construíram um transceptor que foi configurado como um cinto e era capaz de sinalização tátil nos dois sentidos. O sistema empregava uma estação de rádio de baixa potência que cobria menos de 1,5 quilômetros.

A tentativa de monitorar infratores se tornou moribunda por aproximadamente uma década, até ser ressuscitada por um juiz do distrito do estado do Arizona, Jack L. Love. Em 1977, juiz Love procurava uma solução tecnológica para o problema de um sistema correcional superlotado e prisioneiros tentando escapar da prisão. Após várias consultas na busca de uma solução ele encontrou em seus arquivos uma série de desenhos do Homem-Aranha que foram publicados no Albuquerque Journal de 8 a 10 de agosto de 1977. Nesses desenhos, o vilão anexa um bracelete no Homem-Aranha, que permite que se localize, por radar, a localização do Homem-Aranha a qualquer momento.

Em 1982, o juiz Jack L. Love estava convencido de que alguma combinação de pulseira como transmissor e um dispositivo de recepção de sinal nas proximidades poderia ser usada para verificar se um infrator estava em um local designado. Sua tentativa de vender a ideia para várias empresas de computadores não teve êxito, mas um representante de vendas da Honeywell Information Systems, Michael T. Goss, gostou da ideia. O espírito empreendedor de Goss, levou-o a se desligar da Honeywell e, após arrecadar US$100.000 em dinheiro, criar a National Incarceration Monitor and Control Services, Inc. (NIMCOS). 

Um transmissor para ser colocado no tornozelo do infrator do tamanho de um maço de cigarros foi construído, capaz de enviar um sinal de rádio a aproximadamente 100 metros. Uma unidade de recepção estacionária na residência do infrator se comunicava por linha telefônica a um dos computadores do condado. A falta de sinal da unidade residencial indicava a possibilidade de o infrator ter deixado a residência. O equipamento foi experimentado durante algumas semanas pelo próprio juiz Love antes de ser colocado em prática.

A partir da experiência do juiz Jack L. Love, os Estados Unidos (sobretudo Washington, Virgínia e Flórida) deram início a projetos-piloto para a implementação do monitoramento eletrônico. Em menos de cinco anos, 26 estados norte-americanos já o utilizavam. Atualmente, o monitoramento eletrônico está presente em diversos países, de todos os continentes.

A empresa de analistas de IoT Berg Insight divulgou em 2019 dados sobre o mercado de monitoramento eletrônico de infratores. O número de infratores em programas de monitoramento eletrônico diariamente somava cerca de 36.000 pessoas na Europa e cerca de 155.000 pessoas na América do Norte em 2017.

O valor de mercado para monitoramento eletrônico, incluindo equipamentos, software e serviços na Europa, foi de US$195 milhões em 2017. Com uma taxa de crescimento anual de 11%, esse número deverá atingir US$327 milhões até 2022. Prevê-se que o mercado norte-americano de monitoramento eletrônico cresça 6%, de US$580 milhões em 2017 para US$785 milhões em 2022. 

Referência: The Ankle Bracelet Is History: An Informal Review of the Birth and Death of a Monitoring Technology, Robert S. Gable, The Journal of Offender Monitoring, Civic Research Institute, 2015.